As aventuras em Bertioga

Estou no ônibus exatamente nesse momento, olhando pela janela e vendo a natureza que me cerca, e é tão maravilhosa que nem sei como explicar como está sendo gratificante estar fazendo essa viagem.

Vai ser mais que apenas visitar meu lugar favorito do mundo, será um autoconhecimento. Sinto que a Jaqueline que vai voltar não será a mesma que saiu de Diadema hoje, e não vejo a hora de conhecê-la.

As árvores da estrada se misturam com a neblina da serra formando uma paisagem tão linda, trazendo calma, é magnífico. Vendo todas essas paisagens, percebo como a natureza é tão rica, que mesmo com a intervenção do homem, ela continua a florescer, cada vez mais bonita, afinal quando eu iria imaginar ver uma margarida amarelinha bem no acostamento da rodovia. É engraçado como as coisas são, sempre venho para praia desde que me dou por gente, não só em Bertioga, mas todas as praias de São Paulo e nunca tinha reparado de como a paisagem é bonita, porém em alguns pontos da estrada bem precária e com famílias vivendo em casas tão simples e talvez até passando necessidades. Me fez refletir que muitas vezes reclamamos que não conseguimos aquilo que queríamos e muitas vezes nem precisamos, temos que ser gratos pelo que nós temos, porque uma grande parte das pessoas, até mesmo a nossa volta não tem nem metade, muitas vezes querem e precisam só do básico e quando temos não damos valor.

Demorei um pouco pra chegar na pousada, mesmo porque aqui quase não tem 99 e tive que vim andando, é perto porém pra quem estava de mala, foi bem difícil. Mas cheguei e aqui é maravilhoso, me instalei e fui para praia, óbvio. Tinha que aproveitar que ainda estava um pouco sol, e fazer as coisas que meu avô tinha me pedido, depois me sentei na areia da praia, começou a vir mil coisas na minha cabeça, coisas que eu tinha deixado no mar, junto com aquela pedra que havia jogado. O sentimento de felicidade e alívio transbordava dentro de mim, de uma forma que nunca tinha sentido antes, sabia que essa viagem seria diferente de tudo que eu já tinha vivido, sabia que iria me transformar, porém não tinha ideia que seria tão intenso e tão prazeroso.

É perturbador a ideia de ficar sozinha, de fazer as coisas sozinha, e que fica você com seus próprios pensamentos, mas quando isso acontece e deixa de ser apenas uma ideia, você passa a gostar daquilo e quer fazer mais vezes, porque o silência dos seus pensamentos, idéias, desejos ou apenas o silêncio absoluto te traz uma paz. É tipo um relacionamento, quando você está com alguém e ama essa pessoa é tudo maravilhoso e você não querer perder aquilo, por vários motivos, sendo eles: medo da solidão, se torna cômodo e porque achamos que acabando aquele relacionamento o sentimento acaba. Contudo quando você toma a decisão e com muita luta (afinal ninguém gosta de sair da zona de conforto) mudar suas atitudes e terminar esse relacionamento, percebe que o sentimento se verdadeiro não acaba, apenas se transforma, que ficar “sozinho” às vezes é o melhor para a própria evolução e o amadurecimento e que a solidão não existe, pois estávamos sempre acompanhados de nós mesmo, nossos pensamentos, nossos sonhos, desejos.

Talvez a solidão seja vista de diversas formas, mas com essa viagem e mais de um ano de término, vejo que a solidão é apenas uma expressão para se usar quando temos nossa liberdade de fazer o que quisermos, do jeito que quisermos e quando quisermos, sempre será você, com você mesmo. Suas escolhas, sua vida, suas consequências. Uma vez li um poste e nele estava escrito mais ou menos assim: “O problema de ficar muito tempo sozinho, é que a percebemos a paz que é, e não abrimos mão dessa paz por qualquer um” e isso vai muito além de apenas quando estávamos falando de um relacionamento e sim da vida em si, cada ação tem uma reação e não estávamos ilesos de não arcar com aquilo que plantamos. Existe uma coisa que eu sempre levo para vida, em todas as situações, chama espelho da vida, tudo que você faz é um espelho, que vai voltar para você. Então eu pergunto, por que não se olhar sozinha no espelho?

Como disse o meu mais novo amigo e gerente aqui na pousada: “tudo tem o tempo certo para acontecer, foca em você e as coisas se encaixa”

Bom, depois de dois dias e meio maravilhosos na pousada voltei para Diadema, com um sentimento de gratidão e de felicidade dentro de mim e com certeza com muita saudade dos novos amigos que fiz por lá. Acho que nunca viajei e não tive vontade de voltar com foi para mim nessa viagem, não só pelo lugar, mas pelas pessoas maravilhosas que encontrei!

Aprendi que nunca devemos ter medo de ser quem somos e de nos mostrar ao mundo, que apesar do medo parecer enorme e uma pedra gigantesca no nosso caminho, não devemos ter medo dele, pois somos mais fortes e podemos mais. Aprendi que na vida, quando temos um coração bom e gentil, onde vamos conhecemos pessoas maravilhosas, aprendemos com essas pessoas e deixamos amigos, que não importa quanto tempo passe, sempre se lembraram de nós. Que o autoconhecimento vai além de saber do que gostamos ou não, mas também de quem realmente somos e a clareza do que queremos.Com certeza a Jaqueline que foi não é a mesma que voltou, a Jaqueline que está terminando esse texto não é a mesma que começou e apesar da mudança ser grande e não ser bem vista por alguns, nunca me senti tão bem e decidida em toda minha vida, e essa felicidade é inexplicável

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